A drogadição é considerada multicausal, pois compreende fatores
individuais, familiares e sociais. Freud já abordava esta temática desde
1930, por meio de seu artigo intitulado “Mal-estar na Civilização”,
onde é afirmado que as drogas funcionam como “amortecedores das
preocupações”, pois causam um distanciamento da realidade opressora a
qual o sujeito está inserido. Ele também nos advertiu que é justamente esse caráter de fuga que as drogas
proporcionam, é que a torna perigosa, levando a sérios danos e
dependência.
Os comportamentos de transgressão, agressividade, autonomia e
desobediência, observada em seus usuários, nada mais são do que o desejo
de se auto-firmar, de contrariar e demonstrar desprezo e raiva pelas
figuras de autoridade, as quais ditam as regras de certo ou errado que
tanto eles insistem em romper. Claro que essas afetações são de ordem
inconsciente. Os usuários têm um forte desejo de correr riscos, e apesar
da aparente atitude de onipotência que experimentam, na realidade as
drogas só servem para mascarar uma auto-estima baixíssima, forte
irritabilidade, baixa tolerância à frustração e explosões de raiva.
Enfim, o toxicômano busca mediante substâncias químicas transpor a
condição humana, chegando às vezes a pagar o preço da própria vida, pois
sabemos que toda essa adição é uma prática suicida, a curto ou a longo
prazo. É um triste paradoxo, pelo medo de morrer, matam-se.
Por que as drogas afastam as pessoas?
2ª QUESTÃO
As pessoas fogem, justamente pelo caráter transgressor e perverso
daquele que está à margem. É o sentimento de preservação da própria
vida, o temor de ser agredido, de ser violado em seus direitos de ir e
vir. Estamos vivendo a inversão de valores, onde o errado passou a ser o
certo, e o certo o errado. Então, finge-se que nada vê, foge-se para
manter a integridade física, e às vezes até a emocional. Essa é a triste
realidade a qual estamos inseridos.